sábado, 12 de janeiro de 2013

Público VS Privado

Já é antiga a discussão no campo da Administração sobre as semelhanças e diferenças entre gerenciar um órgão público e uma empresa privada.

Quando falamos especificamente de Gestão de Pessoas, tanto faz setor público ou privado? Ou seja, as boas técnicas e ferramentas de Recursos Humanos utilizadas nas empresas privadas também são efetivas no mundo das organizações públicas?

Essa pergunta me consome desde que coloquei os pés no meu primeiro empregador, a Prefeitura Municipal de Campinas, em 2001. Seis meses depois de formado em Administração Pública pela EAESP-FGV, nos bancos da faculdade não percebi grandes diferenças entre o que estudei de Gestão de Pessoas no setor público e privado. No entanto, quando comecei a viver a realidade do governo, como funcionário público, essas diferenças foram ficando cada vez mais claras para mim.

Além de estar numa prefeitura, eu estava nada menos que na Secretaria de Recursos Humanos, responsável até hoje pelas políticas de RH de todos os servidores da Prefeitura de Campinas. Como Assessor, pude circular entre os vários departamentos e ter uma visão privilegiada e sistêmica de praticamente todos os processo de RH numa grande organização pública. Imaginem a complexidade das políticas de RH de uma organização com 20 mil funcionários espalhados pela cidade toda, e com perfis que vão de advogado a mestre de obras, passando por médicos, professores, arquitetos e muito mais. Aprendi MUITO. E vi que, piadas à parte, não dá pra você fazer na área pública o que você faz na privada. São mundos bem diferentes...

Pretendo nos próximos tópicos analisar quais são essas variáveis (legais, culturais, organizacionais, etc.) que tornam a corporação pública tão diferente da privada, especialmente do ponto de vista da gestão de pessoas, e como é importante para o gestor público conhecer e entender essas diferenças para poder fazer bem seu trabalho, conseguindo que a máquina pública dê um retorno cada vez maior para cada centavo de imposto pago pelo cidadão. Melhorar a eficiência, eficácia e efetividade das políticas públicas de forma significativa e sustentável - e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos - é impossível sem efetivamente se compreender e lidar adequadamente com o fator humano nas organizações públicas.

2 comentários:

  1. Primeiramente, lhe parabenizo muitíssimo pela iniciativa. A área de gestão de pessoas no setor público é um mundo inexplorado e fantástico. Trabalhando na secretaria de educação do Ceará às vezes me sinto um Marco Polo, presenciando coisas maravilhosas ou assustadoras, mas que sempre me estimulam a continuar a jornada e conhecer ainda mais. Quinta-feira, tive uma experiência fantástica ao facilitar um trabalho de análise de cenário (SWOT) para o processo de planej. estratégico de um setor da secretaria. Conduzir as atividades a partir de uma perspectiva mais humana e sistêmica, inclusive utilizando jogos cooperativas e técnicas de comunicação empática. O resultado: inúmeros problemas de origem técnicas (como mudanças de função por redesenho de processo, por exemplo) ou de relações interpessoais foram levantadas e discutidas de maneira construtiva e resolutiva, as relações interpessoais melhoram e o trabalho em equipe tende a tornar os projetos mais coesos e focados em várias dimensões (logicamente se este trabalho de desenvolvimento e clima organizacional for constante). Parabéns, Murilo!

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  2. Obrigado Wilson! Uma das minhas principais conclusões nessa quase uma década de andanças pelos governos é que, para obter resultados positivos de forma sustentável, o gestor na área pública precisa ter muito mais jogo de cintura que na área privada, envolvendo muito mais a base na tomada de decisões e efetivamente conquistando sua colaboração com a causa. Devo abordar essas questões mais a fundo em um próximo post, fique ligado. Grande abraço e boa sorte aí no Ceará!

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